"suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada NADA deve parecer natural. NADA deve parecer impossível de mudar"
like
like
like
like
like
"

Cláudia da Silva Ferreira
era a Cacau.

Mãe de oito filhos:
quatro de seu ventre,
quatro outros que seu coração generoso
(maior que o meu, maior que o seu)
felizmente acolheu.

Tinha emprego, CPF,
RG e sonhos
(como eu, como você).

Tinha também seis reais,
três para o pão,
três para a mortadela
(menos que eu, menos que você),

mas não teve tempo para cruzar
as ruas da cidadela em que vivia,
onde gritos e tiros são fiéis companhias.

Cláudia da Silva Ferreira
era
para aqueles polícias

menos importante que um criminoso,
um traficante.

Há muitas Cláudias que surgem e somem,
como cometas de sangue rasgando o céu do Rio.

E mesmo estarrecidos, só contemplamos - passivos - o espetáculo,
sem entender direito seu roteiro, seus atores, o drama, a trama,

enquanto aguardamos - bovinamente - a próxima sessão da semana.

"
like
like

serafroepoder:

blogueirasfeministas:

Matéria do Jornal A Nova Democracia sobre o caso de Claudia Silva Ferreira, baleada numa ação da polícia militar no Morro da Congonha no Rio de Janeiro e que teve o corpo arrastado por uma viatura enquanto era “socorrida”.

No dia 17 de março, moradores do Morro da Congonha, zona norte do Rio, voltaram a protestar em repúdio ao assassinato da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, de 38 anos. A trabalhadora foi morta por policiais militares que faziam uma operação na favela na manhã do último domingo. Cláudia foi colocada com vida em um camburão que foi flagrado momentos depois, com o porta-malas aberto e a trabalhadora sendo arrastada por ao menos 250 metros.

A equipe de AND foi à casa de Cláudia conversar com o seu marido, o operário Alexandre Fernandes da Silva. Ele contou como percebeu, antes da divulgação das imagens pelo jornal Extra, que sua esposa havia sido arrastada por policiais.

"News from the Journal A Nova Democracia on the case of Claudia Silva Ferreira, shot on a military police action in Morro Congonha in Rio de Janeiro and that her body was dragged by a car while being ‘rescued’. 

On March 17, residents of Morro da Congonha, north of Rio, have returned to protest in outrage at the murder of the general assistant Claudia Silva Ferreira, 38. The worker was killed by military police who were in an operation in the favela on the morning of Sunday. Claudia was placed alive in a police van that was spotted moments later with the open trunk and the worker being dragged for at least 250 meters. 

The AND team went to Claudia’s house talk to her husband, the worker Alexandre Fernandes da Silva. He told how he realized, before the release of the images by the newspaper Extra, that his wife had been dragged by police”

(Fonte: youtube.com)

like
like
like
INSTALL THEME